Um Uruguai inteiro perdeu a carteira assinada no Brasil

por Fernando Brito, Tijolaço

Lucas Vetorazzo e Fernando Lima, hoje, na Folha, dão contexto ao que já se percebera, ontem, com menos evidência, nos dados do emprego divulgados pelo IBGE.

E com uma comparação que, por si, grita o absurdo que se vive no Brasil.

“3 milhões de postos [de trabalho, com carteira] deixaram de existir [em três anos]. É como se toda a população do Uruguai tivesse sido demitida”

É perto de 10% do número de trabalhadores que tinham direitos e garantias que a formalização lhes dava e que, agora, os perderam.

Só nos últimos 12 meses, 857 mil pessoas perderam empregos com carteira.

Outros 1,1 milhão foram “trabalhar por conta própria” e, nestes tempos bicudos, duvido que 10% possam ser enquadrados no tal “empreendedorismo”.

E 718 mil pessoas foram trabalhar “sem carteira”, ou seja, sem direito algum.

Era um exagero dizer que vivemos o “avanço do atraso“, com se fez ontem, neste blog?

A afirmação da matéria de que é “o pior patamar em 5 anos” do emprego formal pode ser, em termos proporcionais, expandida com tranquilidade para uma década, pois se refere apenas á medição pela PNAD contínua, que começou a ser feita em 2012. Como a situação da economia, por óbvio,  e a do emprego, por medições anteriores, era melhor, não há risco de errar.

A conversa fiada de que na “retomada” os empregos informais precedem os formais esbarra na constatação de que não há solidez em qualquer perspectiva de longo prazo de expansão da economia brasileira que vá além de alguma marolinha provocada pela economia mundial. Marolas, aliás, tanto fluem como refluem.

O que se cria, em matéria de emprego – formal e informal – é tudo o que eles próprios diziam: ocupações de baixa qualificação, aquela que é indispensável para dar dignidade á vida de todos mas que, se mantida a longo prazo, só nos traz atraso e perda de competitividade.

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