Um tempo de mediocridade

por Fernando Brito, Tijolaço

Talvez o pior reflexo da ditadura judicial e midiática que passamos a viver, de alguns anos para cá – e exponenciada, desde a “Era Lava Jato” –  seja a estupidez que tomou conta da vida nacional.

Por onde quer que se olhe, é mediocriadade  – no máximo – o que se vê.

Os candidatos a presidente disputam para ver quem tem o discurso mais agressivo e até um mosca-morta como Geraldo Alckmin se aventura no discurso de distribuição de armas aos fazendeiros do interior. Será que vai colocar “detector de armamentos” nos muitos pedágios das rodovias paulistas, para assegurar-se de que estas armas não serão usadas em Guaianazes ou Parelheiros?

Os jornalistas ditos “formadores de opinião” passaram a comportar-se como pregadores religiosos de uma fé mercadista que, francamente, os coloca à beira da imbecilidade.

Um deles, hoje, chega a escrever que  a “política econômica [é](correta em sua essência, mas ineficaz no curto prazo)”, como se o problema da dependência fosse apenas operacional, não algo essencial.

Nenhum deles atenta para o fato de que o país não apenas está majoritariamente perplexo e que só há, até agora, dois pólos que catalisam vontades: Lula e Bolsonaro. Agem como se, a esta altura, pudesse ainda surgir outro “outsider”, como se tentou com Luciano Huck e, depois, com Joaquim Barbosa.

Aceitam, como verdade e modelo, uma figura medíocre, que  usou ladravazes como degraus para escalar a notiriedade, apoiando-se nas pedras podres que sempre, desde séculos, marcaram esta Nação, onde a elite sempre se apoiou – e não deixou de fazê-lo – no saque e nos privilégios.

O sistema de dominação cultural que nos é imposto encontra, espertamente, uma distorção à qual certa parte da esquerda, no passado e mais ainda no presente, empresta tola legitimidade: o novo.

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O novo, é claro, sempre existe e existe a cada dia, porque não somos uma cópia do ontem.

E não existe nunca, porque somos sempre a continuidade do ontem.

Não há novo no Brasil que retrocede.

A ofensiva de moralidade que nela se encapa para destruir-nos é, ne sua essência, o mesmo udenismo entreguista que nos arrebatou a chance de sermos uma Coreia, país que estava muito atrás de nós nos anos 50.

Mas, deus nos proteja, nem é ele que está à frente deste processo, mas um regresso à República Velha, onde a “questão social é um caso de polícia”.

Ou, até, miseravelmente, um “caso de Exército”.

Já disse diversas vezes e o reafirmo: a esquerda não pode aceitar que a disputa eleitoral seja definida por uma salada de moralismos, sectarismos ou rompantes.

Existe um processo, facilmente visível, de demolição do Brasil, de seu Estado e, com ele, da capacidade de intervirmos coletivamente sobre nosso futuro.

A resistência a esta máquina monstruosa é nosso ponto de união, muito mais forte que qualquer dissenção que possamos ter.

E essa resistência tem um símbolo, que é Lula.

Ninguém governará democraticamente o Brasil sem ele.

Mas a maré de mediocridade que governa  a “mente midiática” que acha ter se apossado do país diz o contrário, que defender Lula é fatal para qualquer candidatura.

Não é, é o contrário. Não é fatal, mas é vital para qualquer candidatura progresista.

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