“Trump me tornou um alien”, diz o maior vencedor do atletismo britânico

O corredor Mo Farah, que aos oito anos foi para a Inglaterra, enfrenta o risco de ser barrado nos Estados Unidos, onde vive com a família há seis anos; ele nasceu na Somália, um dos sete países de maioria muçulmana atingidos pelo decreto do presidente Donald Trump, que veta por 90 dias a entrada de pessoas provenientes desses países nos EUA; “No dia 1º de janeiro, Sua Majestade, a Rainha, me fez cavaleiro da realeza. No dia 27, Donald Trump parece ter me tornado um alien”, disse o esportista no Facebook; “É muito preocupante que eu vou ter que dizer aos meus filhos que o papai talvez não possa voltar pra casa”

Do Brasil 247

O corredor Mo Farah ganhou quatro medalhas de ouro olímpicas, duas delas no Rio de Janeiro em 2016, e se tornou o maior vencedor do atletismo britânico, mas agora o risco de ser barrado nos Estados Unidos, onde vive há seis anos com a família. Ele nasceu na Somália, um dos sete países de maioria muçulmana atingidos pelo decreto do presidente Donald Trump, que veta por 90 dias pessoas provenientes desses países de entrarem nos EUA. Segundo Trump, o objetivo da medida é proteger os norte-americanos contra o terrorismo. Neste domingo (29), o corredor postou uma mensagem dura contra a política de Trump. “No dia 1º de janeiro, Sua Majestade, a Rainha, me fez cavaleiro da realeza. No dia 27, Donald Trump parece ter me tornado um alien”, disse o esportista no Facebook.

De acordo com o departamento de Defesa dos EUA, até mesmo britânicos com dupla nacionalidade com a Somália, Síria, Iraque, Irã, Sudão, Líbia e Iêmen serão barrados na fronteira americana.

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No primeiro dia de 2017, Farah foi condecorado “Sir” pela rainha da Inglaterra, para onde foi aos 8 anos de idade. “Sou um cidadão britânico que vive na América há seis anos – trabalhando duro, contribuindo com a sociedade, pagando meus impostos e criando quatro filhos no lugar que eles chamam de lar. Agora, eu e vários outros como eu estão ouvindo que nós talvez não sejamos mais bem-vindos”, escreveu o corredor, que ganhou ouro dos 5.000 e dos 10.000 metros tanto em Londres-2012, quanto no Rio-2016.

“É muito preocupante que eu vou ter que dizer aos meus filhos que o papai talvez não possa voltar pra casa – explicar por que o presidente iniciou uma política que vem de um lugar de ignorância e preconceito”, continuou. “Eu fui bem recebido no Reino Unido quando vim da Somália aos 8 anos e tive a chance de prosperar e realizar meus sonhos. Tenho orgulho de representar meu país, ganhar medalhas pelo povo britânico e receber a grande honra da cavalaria. Minha história é um exemplo do que pode acontecer quando você segue políticas de compaixão e solidariedade e não de ódio e isolamento”, acrescentou.

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