Suposto “grampo” de Obama a Trump lança EUA no abismo da crise

Por Fernando Brito, Tijolaço

O que aconteceu hoje, com as sucessivas acusações de Donald Trump pelo Twitter de que Barack Obama grampeou os telefones de seu escritório vai além, muito além dos jogos de gato e rato tão ao agrado do novo presidente norte-americano..

Agora, é a acusação direta por um crime e um crime de imensa gravidade quando se trata de um cidadão norte-americano e candidato a presidente o grampeado.

Não por acaso, Trump compara o episódio a Watergate, a espionagem de Richard Nixon sobre o Partido Democrata que acabou por leva-lo à renúncia.

(Como se sabe, os norte-americanos  consideram seu direito à privacidade sagrado, embora não vejam sacralidade alguma nos mesmos direitos de seus não-nacionais)

Obama diz que é “simplesmente mentira” e acusa Trump de estar querendo desviar as atenções das investigações (?) de suas relações com a Rússia.

Que Obama tinha meios para fazê-lo. não há dúvida, porque fez isso a chefes de Estado estrangeiros, como Dilma Roussef e a alemã Angela Merkel.

Se o fez, claro, é outra conversa, porque afirmar isso exige algum nível de prova, o que Trump não apresentou, embora não apresentar não seja o mesmo que não ter.

Trmp, um homem de marketing, sabe perfeitamente o que  é um teaser, um artifício para criar atenção sobre um conteúdo que ainda virá.

Porque é grave demais para que não venha nada e, com isso, vingue a tese do antigo governo que a investigação sobre conexões russas de Trump sejam comprometedoras ao ponto de levá-lo a uma acusação extrema contra Obama.

Bem, os nossos “irmãos do Norte” passam para um degrau superior de uma histeria que aqui conhecemos bem: a do “ele sabia” ou não sabia.

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Com a diferença que lá a grande maioria da imprensa é hostil a Trump.

É demais, mesmo para um sistema como o norte-americano,onde os negócios imperam muito acima da política.

Até agora, as trapalhadas fascistóides de Trump e o indisfarçado desejo, entre seus adversários, de sabotar seu governo não vinham mexendo com o mundo do dinheiro, que é o que realmente importa.

Agora, porém, cruzou-se a frinteira onde, nesta sim, deveria haver um muro seletivo: o da acusação criminal.

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