Sou evangélico e sou contra

por Adriano Lima, DCM

Eu sou cristão, de tradição evangélica pentecostal, mais especificamente. Decidi escrever esse texto porque, geralmente, algumas pessoas partem de um pressuposto que todo cristão evangélico é fundamentalista, preconceituoso, desinformado etc. Certamente existem pessoas com tais características no ambiente cristão (acho que em todo seguimento). Mas isso não representa a essência da fé cristã.

Apenas para pontuar, quando falo em essência da fé cristã, me refiro aos comportamentos fundamentais da pessoa de Jesus de Nazaré. Na pessoa de Jesus, não encontramos nada que o caracterize como fundamentalista, preconceituoso, racista, homofóbico, violento, machista, etc. Por essa razão, sou cristão e sou contra:

A POBREZA E A DESIGUALDADE SOCIAL, que afetam grande parte da população brasileira. Essa realidade ficou ainda mais visível na Escola Classe Oito do Cruzeiro – DF, em que uma criança com oito anos de idade desmaiou de fome, há 30 km de Brasília, capital federal, onde geralmente algumas pessoas esnobam o dinheiro público.

A FALTA DE POLÍTICA ACOLHEDORA PARA OS REFUGIADOS, que precisam sair de seus lugares de origem, em busca de proteção. A imagem do corpo do menino sírio Ayslan, morto em uma praia da Turquia em 2015, ainda é comovente e questionadora. Que mundo é esse capaz de matar uma criança com tanta vida e sonhos pela frente?

O PRECONCEITO E A DISCRIMINAÇÃO, que provocam violência, morte e destroem um pouco a humanidade… um pouco mais a cada minuto de cada dia. É lamentável que pessoas sofram preconceito ou sejam discriminadas (e às vezes até violentadas) pela cor, pela opção sexual ou pela situação social.

A CORRUPÇÃO, que nos deixa cada dia mais envergonhados diante de sociedades civilizadas. Enquanto isso, trabalhadores públicos passam necessidades básicas, motivadas pelo atraso salarial, no Rio de Janeiro.

Enquanto a corrupção tira sem dó e sem piedade o prato de comida da mesa de alguns brasileiros, pais e mães na cidade de São Paulo, não sabem o que fazer com seus filhos que precisam de um atendimento médico, mas o Hospital da USP, mergulhado numa grave crise financeira – institucional fechou, na última terça feira (21), o pronto socorro infantil.

A VIOLÊNCIA URBANA, que mata um brasileiro a cada oito minutos. A vida se tornou uma “coisa” e está valendo muito pouco. O senso de humanidade é preocupante. As pessoas matam por R$ 20 reais, assassinam crianças, mulheres, negros, homossexuais, etc. por motivos absolutamente banais.

A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA. Tenho dito insistentemente que a intolerância religiosa não é apenas uma forma de enxergar o mundo; ela é uma praga social e deve ser combatida.

Sou contra todas essas coisas supramencionadas. Não consigo ver compatibilidade entre a fé cristã e a violência, o preconceito, a discriminação, a corrupção, a desigualdade, a intolerância religiosa e a falta de políticas públicas acolhedoras. Precisamos contribuir para a promoção da dignidade humana. 

Para mencionar o filósofo alemão Immanuel Kant “as coisas têm valor, as pessoas têm dignidade”. O respeito ao próximo e o reconhecimento das diversidades são critérios fundamentais para a convivência numa sociedade civilizada. Ou, se você preferir, são critérios decisivos no cristianismo e nas demais religiões. Só para finalizar, ser cristão é NÃO SER: intolerante, homofóbico, preconceituoso, racista ou fundamentalista.

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