Sexta lei do decálogo da classe média: nosso admirável mundo novo

por Sebastião Nunes, GGN

SOMAR NÃO É SUBTRAIR

Tendo absorvido sua porção diária de Soma* um casal de inclames (indivíduos de classe média) perdeu por completo a (sic) tesão**. Sentiram-se então pastosos que nem abacate liquidificado no que se chama vitamina de abacate nos botecos de mauseráveis da zona boêmia do Baixo Meretrício (versão popular do Alto Meretrício, alocado junto aos poderes executivo, legislativo, judiciário e à mídia televisada, oralizada e impressa).

CONFUNDIR NÃO É ESCLARECER

* “Soma” é um antiviagra capaz de broxar até frades de pedra, inventado pelo biólogo inglês Aldoux Huxley, que era irmão do ficcionista Julien Huxley, nados ambos de uma família de lordes-nobres e netos de outro notável ficcionista, Thomas Huxley. Deste último (1825-1895) os principais romances são “Hydrozoa”, em que descreve, à maneira de Flaubert, as relações incestuosas entre os personagens Hidropólipo e Medusa. Outro de seus romances notáveis é “Gastraea”, que trata da violenta paixão de Hidrozoa por Metazoa. Não ganhou o Prêmio Nobel de Literatura porque este ainda não existia quando desembarcou do planeta. Já de Julien Huxley (1887 -1975) são bastante conhecidos os romances “O Indivíduo no Reino Animal” (1912), “A Ciência da Vida” (1931), “Elementos de Embriologia Experimental” (1934) e, especialmente, “A Genética Soviética e a Ciência no Mundo Moderno” (1949), com o qual obteve o prêmio Nobel de Literatura de 1953. Quanto ao biólogo Aldoux Huxley (1894-1963), que se dedicou de modo especial à genética, suas obras de maior repercussão foram “Admirável Mundo Novo” (192) e “A Ilha” (1962), livros nos quais examina o comportamento social de insetos predadores, com ênfase em inclames e panderosos, os mais agressivos de todos os insetos, segundo ele, e os únicos gratuitamente agressivos. Sua tese mais importante, de ampla repercussão, é a de que, por sua agressividade inata, esses insetos terminarão por se destruir, com sérios riscos para a continuidade da vida na Terra. Apesar da importância de seus livros, nunca ganhou o Prêmio Nobel, talvez porque seus notáveis estudos contivessem críticas ferozes, embora subtilmente disfarçadas em alegorias, chistes e sátiras, aos próprios membros da Academia de Estocolmo, todos eles, como sabemos, penclames (indivíduos machos de classe média).

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COROLÁRIO

Daí que, desprovidos de tesão, só restava aos inclames cinco alternativas: viajar, comer, comprar, malhar ou tremer, pois, como sabemos, a existência de buclames e penclames é regida por seis leis, chamadas “Leis da Inclamidade” (John Maynard Keynes****, 1932), relacionadas a seguir:

1) Lei das Viagens Compulsivas

2) Lei da Comilança Compulsiva

3) Lei do Trepa-Trepa Compulsivo

4) Lei da Malhação Compulsiva

5) Lei do Temor & Tremor Compulsivos

6) Lei do Consumismo Compulsivo

FOFOCA ERUDITA

**** Keynes (1883-1946), embora mais conhecido como astrofísico (Prêmio Nobel de Física de 1940, por seus estudos sobre a radiação de fundo do universo), tendo mesmo publicado um livro de relativa importância sobre o assunto (“A Teoria Geral do Emprego, Juros e Moeda”, 1936), destacou-se em especial por estudar a vida dos inclames, dedicando-se durante longos anos a pesquisar a conduta da conhecida buclame inglesa Virginia Woolf e seu círculo de amizades. Com o valioso auxílio do sociólogo austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951), discípulo e sucessor, além de autor do importante ensaio experimental sobre os inclames “Tratado Lógico-Filosófico”, 1922 (livro que lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz de 1924), e logo após a morte por suicídio da senhora Woolf, desgostosa por ter se tornado velha, logo ela, que se julgava acima do bem e do mal (cf. o matemático alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), ganhador do Prêmio Nobel de Matemática de 1899), solicitou à família o cérebro da “de cujus”, o que obteve. Com apenas esse escasso material de trabalho, mas com intuição genial e persistência extraordinária, logrou desvendar as estruturas superficiais-profundas do cérebro inclâmico, colhendo os dados que lhe permitiram formular as cinco famosas “Leis Gerais da Inclamidade Ostensiva”, conhecidas abreviadamente como “Leis da Inclamidade”. Hoje em dia, ninguém mais põe em dúvida que essas leis foram tão importantes para a ciência do século XX quanto a noveleta “Teoria Geral da Relatividade”, do romancista alemão Albert Einstein (1879-1955), Prêmio Nobel de Literatura de 1921, ou “A Origem das Espécies por meio da Seleção Natural, ou a Preservação das Raças Favorecidas na Luta pela Vida” (1859), do filósofo inglês Charles Darwin (1809-1882), (também não ganhou o Prêmio Nobel porque o mesmo ainda não existia). São, a trinca dos três, os pilares sobre os quais se edificou o desastre conhecido como século XX e, certamente, se edificarão as tragédias conhecidas como séculos vindouros, se houver, por um desses acasos inexplicáveis, séculos vindouros.

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** Tesão: substantivo que partilha galhardamente todos os gêneros, como esclarecemos em verbete da “História do Brasil” (novos estudos sobre guerrilha cultural e estética de provocaçam). De nossa parte, preferimo-lo feminino.

(Anunciadas mas não cumpridas, as Leis da Inclamidade serão desenvolvidas no segundo volume do “Decálogo da Classe Média”, crítica cínica aos costumes dito inclâmicos, e que já nos espreita na esquina do tempo, com sua carantonha de Cérbero.)

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