Redução do Fies deixa salas de aula das faculdades vazias em Minas

De Ludmila Pizarro de O Tempo.

Mais da metade das salas de aula das faculdades particulares mineiras está vazia, segundo levantamento do site Quero Bolsa. A pesquisa, baseada em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2016, aponta que, em média, 50,7% das vagas de instituições de ensino superior no Estado estavam desocupadas. No país, a média é de 52,9%.

Para o diretor do departamento de inteligência de mercado do Quero Bolsa, Pedro Balerine, o enxugamento do fundo do Financiamento Estudantil (Fies) feito pelo governo federal e o desemprego explicam o cenário. “Entre 2010 e 2014, houve um oferta muito grande de financiamento estudantil, e as faculdades se planejaram para atender essa demanda. Porém, houve uma reviravolta a partir de 2015, e o Fies teve corte em investimento. As faculdades se planejaram para uma demanda que não ocorreu”, diz Balerine. Só no mês passado, o então ministro da Educação, Mendonça Filho, anunciou uma redução de 29% nos investimentos do Fies. “O desemprego também agravou esse quadro, porque as pessoas que estudavam e perderam o emprego foram obrigadas a trancar a faculdade”, diz Balerine. Os cursos mais ociosos no país são o de petróleo e gás, com taxa de desistência de 96%, e o de engenharia de petróleo, com 85,8% de ociosidade, conforme o estudo. 

Outra alternativa para manter alunos é o parcelamento das mensalidades. “A faculdade dilui o valor da mensalidade em um período maior que o da duração do curso”, explica o diretor do Quero Bolsa, Pedro Balerine. “Porém, é uma estratégia de risco, que pode gerar inadimplência”, avalia. A oferta de bolsas de estudo é outra estratégia comum das faculdades particulares na crise, destaca Balerine.

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Em Minas, o índice de ociosidade continuou em torno de 50% em 2017, segundo o presidente da Federação dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de Minas Gerais (Fenen-MG), Emiro Barbini. “Muitos alunos desempregados ou em dificuldade financeira deixaram de se matricular em 2017”, conta. Segundo ele, as faculdades estão “procurando se adaptar às regras do Fies”, mas a inadimplência é alta. “Temos escolas que convivem com 35% de inadimplência”, diz Barbini. 

A estudante de direito Camila Miranda, 26, lembra a importância do Fies. “Sem o Fies eu não entraria na universidade. E mesmo com ele foi difícil, pois existiam outros gastos”, afirma. “Passei três anos com a matrícula trancada. Só consegui me manter no curso quando consegui o financiamento de 100% da mensalidade pelo Fies”, diz. Sem o crédito, estudantes também buscam os bancos, mas as taxas de juros chegam a triplicar se comparadas com a do Fies, que é de 6,5% ao ano. 

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