País continua dividido: sem Lula, candidato “Ninguém” assume a liderança

por Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

Espremendo-se todos os números do Datafolha, chega-se a esta conclusão: sem Lula na disputa, o que parece cada vez mais provável, quem assume a liderança na corrida presidencial é o voto no candidato “Ninguém”.

Com 18 nomes espalhados por nove cenários, na primeira pesquisa após a prisão do ex-presidente, o índice que mais cresceu foi o de brancos, nulos e nenhum, que chegou a 23%.

Nos três cenários em que seu nome aparece, Lula continua disparado em primeiro lugar, com 31%, apenas seis pontos a menos do que na pesquisa anterior. Apesar de preso numa cela solitária em Curitiba, ele mantém o dobro dos votos do segundo colocado, o capitão-deputado Jair Bolsonaro, que registra 15%. Marina Silva vem a seguir com 10%.

Os demais pré-candidatos, incluindo Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, continuam empacados e não passam de um dígito no cenário principal.

Nos outros cenários, sem Lula, Bolsonaro vai a 17% e Marina chega a 15%, oscilações dentro da margem de erro.

Candidatos de partidos nanicos, sem alianças, recursos nem tempo de televisão, quando a campanha começar para valer os dois tendem a cair por inércia. São cavalos paraguaios.

No atacado, os números gerais da pesquisa demonstram que o país continua dividido em três blocos entre os pró-Lula, os anti-Lula e “Ninguém”, segundo a análise de Mauro Paulino e Alessandro Janoni, diretores do Datafolha:

  • Um terço dos eleitores (32%) votaria em Lula ou no candidato que ele apoiar em qualquer situação.
  • Outro terço (31%) rejeitaria completamente o petista e qualquer candidato apoiado por ele.
  • O terço restante (37%), constituído pelo “eleitor-pêndulo”, engrossa o contingente dos votos órfãos.

“O potencial do ex-presidente como cabo eleitoral oscila positivamente, e a rejeição à sua candidatura, ao invés de crescer com sua prisão, cai quatro pontos percentuais. A hipótese fica ainda mais clara quando se vê que, apesar de 62% acreditarem que o petista acabará fora da eleição, apenas metade dos eleitores quer que isso de fato aconteça. A outra metade da população gostaria que Lula fosse incluído na disputa”, constatam Paulino e Janoni.

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Sem poder ter contatos com políticos, isolado do mundo por Sérgio Moro, só quando Lula anunciar seu apoio, caso seja impedido de concorrer pelo TSE, é que as próximas pesquisas poderão clarear o cenário com a definição do candidato da centro-esquerda.

Por enquanto, sem Lula, quem aparece na frente é Ciro Gomes, com 9%.

Possíveis substitutos de Lula no PT, Fernando Haddad e Jaques Wagner oscilam entre 1% a 2%, o mesmo índice alcançado por Manuela D´Ávila e Guilherme Boulos, embolados no contingente de nanicos.

Do outro lado, no campo da centro-direita, estão tecnicamente empatados Alckmin, com 6%, e Barbosa, que ainda não sabe se será candidato, com 8%. Sem Lula, eles crescem 1% cada.

Na mesma raia, corre um batalhão de nanicos: Collor, Flávio Rocha, Afif Domingos, Meirelles, Amoêdo, Rabello de Castro, Rodrigo Maia e Temer, todos com índices entre 0% e 2%.

Somados, eles não atingem o patamar de “Ninguém”, que fica entre 23% e 24% nos seis cenários sem Lula.

Apenas um ano atrás, quem é que poderia imaginar um quadro tão desalentador para a eleição mais importante desde a redemocratização do país?

Três décadas depois, faltando menos de seis meses para a eleição, 46% dos brasileiros ainda não sabem em quem votar, segundo o número mais assustador do Datafolha.

É o que aponta a pesquisa espontânea, sem o estímulo dos cartões com os nomes dos candidatos.

Entre eles, 21% já decidiram que votarão branco ou nulo, um índice inédito em eleições presidenciais.

Se não sabem nem em quem votar para presidente e “Ninguém” lidera a pesquisa sem Lula, pode-se imaginar que Congresso Nacional sairá das urnas.

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Por incrível que pareça, sempre dá para piorar, como dizia o velho sábio Ulysses Guimarães. Na melhor das hipóteses, se tiver mesmo eleição, ficará tudo como está.

Vida que segue.

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