O que o Rio vive é o que se viverá em toda a parte

por Fernando Brito, Tijolaço

Quando o Estado se dissolve, a desordem impera.

O Rio viveu hoje um dia de confrontos que, embora possam ter sido ativados por traficantes, queimam sobre a gasolina da miséria e da ausência do poder público.

E, claro, pelo deslocamento permanente de quase um milhar de policiais para missões repressivas, quase que diárias nos protestos diante da Assembléia Legislativa e em outros eventos populares.

Não é preciso ser expert em segurança pública para saber que haveria confusão nas áreas próximas àquela onde, de madrugada apreenderam-se dezenas de fuzis e de suspeitos de tráfico.

Horas depois, ela aconteceu sem que se notasse, como na sexta-feira, uma multidão de policiais.

No plano federal, vivemos a vergonha de uma nova escalada de violência no campo, com episódios bárbaros como decepar mão de seres humanos sob o olhar complacente de um ministro da Justiça que, como contabilizou hoje a Folha, em 55 dias no cargo, recebeu uma centena de ruralistas, a maioria da bancada do agronegócio na Câmara e no Senado e nenhum representante dos indígenas.

Será preciso fazer outro levantamento para ver que os sem-terra também tiveram o mesmo tratamento, que em que o contato com o governo de dá com cassetetes e sopapos?

O Brasil, como o Rio de Janeiro, não tem mais um governo, tem um amontoado de oportunistas que querem destruir o Estado e, com ele, a mediação dos conflitos.

O resultado disso, claro, é conflito, que parece ser o cardápio diário de nossa existência, agora.

Leia::  Especulação na rede é de que agressor de Mateus seria comandante da PM de Goiás

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *