O protesto na Paulista mostra que abril será um mês quente para o que restou do governo Temer

Avenida Paulista, 31 de março de 2017
por  Pedro Zambarda de Araujo, DCM

No dia 26 de março, a direita xucra e o MBL protagonizaram um fiasco em um protesto organizado com meses de antecedência. Neste dia 31, aniversário do golpe miliar de 1964, a esquerda deu o troco na Avenida Paulista.

Numa brisa fresca e sob uma garoa fraca, 22 graus de temperatura, a sexta-feira teve sol com algumas nuvens escuras. Ao fundo do MASP, formou-se um arco-íris, que se fundia com os churrascos de rua, os balões dos sindicatos da CUT e CTB, fora as inúmeras bandeiras de partidos, do PCO ao PSOL, passando pelo PT.

“Este ato faz parte de uma série que teremos nos próximos dias até a greve geral em 28 de abril. Se até lá a Reforma da Previdência for aprovada pelo governo golpista de Temer, teremos que invadir o Congresso. Invadiremos o Congresso. Aí vai ter acabado o diálogo”, resumiu Guilherme Boulos, o líder do MTST, em cima do carro de som.

Sua fala deu o tom do descontentamento daqueles que sentiram na pele o golpe contra o governo da ex-presidente Dilma e o corte de direitos sociais.

Ivan Valente, deputado federal do PSOL, e Carlos Giannazi, deputado estadual pela mesma legenda, fizeram discursos. Estavam presentes também os sindicatos ligados a professores que estão fazendo greves desde o começo de 2017.

A Frente Brasil Sem Medo, que organizou a manifestação nesta sexta-feira, estimou 40 mil pessoas na Avenida Paulista caminhando até a Praça Roosevelt.

A Polícia Militar a princípio fechou apenas uma das pistas, mas depois foi obrigada a impedir o trânsito de carros. O MASP estava abarrotado de pessoas, sobretudo dentro do vão, e não havia tantas pessoas dispersas quanto no ato micado do MBL e da direita xucra.

Belo Horizonte (MG), Paraguaçu Paulista (SP), Governador Valadares (MG), Poços de Caldas (MG), Rio de Janeiro (na Candelária), São João Del-Rei (MG, cidade querida por Aécio Neves), Caeté (MG), Acauã (PI), Hortolândia (SP) e diversas cidades aderiram aos protestos contra a Reforma da Previdência e pelo Fora Temer nesta sexta. As informações são dos Jornalistas Livres.

Na Paulista também era possível ver um boneco inflado em homenagem ao governador Geraldo Alckmin. É ele que está envolvido nos casos de corrupção do metrô de São Paulo, no atraso de pagamentos de professores, no roubo da merenda escolar e até na lista da Odebrecht dentro da Operação Lava Jato.

Embora a fala de Boulos soe forte aos ouvidos, a população está se manifestando pacificamente enquanto o governo passa por cima dos seus direitos, sem diálogo algum.

Quem invadiu o Congresso em Brasília, por enquanto, foram os fascistas.

Abril promete ser um mês quente para Temer.

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