O fim do PSDB ajuda o golpismo, mas o PSDB é tão golpista que não vê

 

por Fernando Brito, Tijolaço

O PSDB nasceu como uma “esquerda” à procura de desculpas para ir para a direita.

Bem à feição da “Banda de Música” da UDN, pretendendo-se uma pureza ascética bem ao gosto da alta classe média urbana, com seus bons modos de elite colonial.

Os agora “mais velhos” se recordam do “choque de capitalismo” que, em 1989, Mario Covas propunha para o Brasil.

Cinco anos e um flerte com Collor depois – flerte, aliás, abortado pelo próprio Covas – Fernando Henrique vestiu com “sociologuês” o projeto entreguista e privatizante que, se não foi um choque, certamente foi chocante para quem achava que uma ditadura pró-capitalista como a militar de 64 era o grau máximo de que se podia atingir nos projetos de vender a pátria.

Viu-se que não era e que os punhos de renda resistiam menos a isso que os uniformes. Nenhuma novidade, nunca foi diferente.

As eleições de 2002 foram um momento de aprofundamento deste processo. Em lugar de FHC, mesmo já em sua fase terminal de pedantismo, veio um José Serra, com qualificações intelectuais muito menores e um gangsterismo muito maior. Depois Aécio, cuja capacidade intelectual convive com a minhocas.

Inviabilizado eleitoralmente em quatro oportunidades, o tucanato encontrou no golpe a oportunidade de recolocar-se no governo, esquecido que a fossa da política que revirou também foi seu habitat.

O resultado está estampado hoje na coluna da tucanésima Vera Magalhães, no Estadão, ao comentar o programa de televisão do PSDB:

(…) atrelado inexoravelmente ao governo Michel Temer, que discurso o partido terá para apresentar na campanha diante da baixíssima avaliação do presidente e de um legado que será, no máximo, um crescimento medíocre e mais denúncias de corrupção?
A propaganda partidária evidenciou que os caciques podem até apelar para o discurso da renovação, mas querem mesmo manter o status quo. Quem manda são Aécio, Alckmin e ainda FHC. Isso fica evidente diante da exclusão do prefeito de São Paulo, João Doria Jr., da telinha – seu palanque preferido e mais usado.”

Leia::  Temer e Moro na churrascaria rodízio da falta de noção

Aécio Neves, diz ela, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra “viram suas pretensões de disputar a Presidência em 2018 atingidas em cheio pela Lava Jato”.

João Dória, o que mal e mal lhes restou, é algo camadas geológicas abaixo de Aécio. É algo tosco, grosseiro, movido apenas a jogadas de marketing e dinheiro, tudo temperado com pitadas de “responsabilidade social” caricata, aquela que soluciona os problemas soicias com um pouco de caridade promocional, apenas alguns centímetros acima da oficina de restauração de latas-velhas de seu “primo” Luciano Huck, o primeiro funileiro com iate de R$ 30 milhões.

Esta falta de perspectivas da direita de ter um candidato viável em 2018, ao contrário de ser uma perspectiva animadora para a esquerda, é um desastre,

Significa – e as pesquisas o demonstram – que vai sobrando como espaço da direita um protofascismo medíocre e obtuso que perpetua o clima de confronto e selvageria que já estamos vivendo.

Mas a máquina tucana, hoje, está atolada com o PMDB mais atrasado e fisiológico, do qual o partido, no seu nascedouro, pretendia diferenciar-se que, afinal, virou um pedaço dele mesmo, talvez ainda mais fiel a Temer que o próprio PMDB.

A destruição da polarização PT x PSDB que domina a vida política há quase 30 anos, significou que , junto do o PT, os tucanos destruíram-se também.

E Doria, certamente, não será sua fênix.

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