O dinheiro é Deus?

por Fernando Brito, Tijolaço

O Brasil é um país inacreditável.

O Ministro da Fazenda, que nunca adorou outro deus que não o dinheiro e fez  dos negócios a sua bíblia sagrada, é levado para receber a “bênção” de igrejas evangélicas, como a do “bispo” Robson Rodovalho, um personagem que é capaz de pérolas como a de afirmar que havia dinheiro no “Céu” e que “mulher foi feita para procriar com o esperma do homem”.

Meirelles sobe ao púlpito sem que ninguém se lembre que ele era presidente do grupo empresarial de Joesley Batista – de cujas falcatruas nada sabia, certo? –  até pouco antes de entrar no governo de Michel Temer. O ex-patrão de Meirelles denunciou o Presidente e foi para a cadeia por conta da gravação do “tem que manter isso, viu?” da mesada de Eduardo Cunha.

Cunha, outro pregador da hipocrisia, já prestou favores a Rodovalho,em cuja igreja fez sua primeira parada no mundo evangélico. E, desgraça, não foi abandonado pelo bispo agora meirellista, que a ele se disse ligado “por laços de amizade, que até hoje permanecem”.

Pudera, Cunha foi o introdutor de um “jabuti” na Medida Provisória 668, que isentou de contribuição previdenciária – aquela que Meirelles diz que  não dá para pagar os aposentados – os pagamentos feitos a título de comissão por almas convertidas aos pastores de igrejas como a de Rodovalho, Silas Malafaia e do “missionário” R.R.Soares que, segundo a Folha, tinha uma dívida de R$ 60 milhões. Ah, a propósito, diz o jornal que “Michel” ajudou na “bondade”.

Tudo está esquecido, tudo está perdoado.

São todos, ali, homens imaculados, santos, gente que sempre pensou nos seus irmãos sofredores antes de cuidarem de si mesmos e de suas fortunas. Como os desvalidos não terão o Estado a lhes garantir a sobrevivência, Rodovalho pontifica:

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“O Brasil está pedindo um liberal de cabo a rabo”, alguém que defenda o Estado mínimo na economia e valores conservadores no campo dos costumes, defende.“Quem sabe o ministro possa ser esse nome?

São os mercadores da fé que, há 2 mil anos, foram tangidos do templo a chicote por um barbudinho radical. E contra os quais se insurgiu, há exato 500 anos, um tal Martinho Lutero, com as 95 Teses que foram a origem do protestantismo.

É o caso de desconfiar-se de que há gente mais próxima ao homem que despertou a ira de Lutero, o frade Johann Tetzel, a quem se atrobiu, como vendedor de indulgências, a frase famosa:

“Tão logo uma moeda na caixa cai, a alma do purgatório sai”

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