Nunca deixe um tecnocrata à solta

por Fernando Brito, Tijolaço

Se os comandantes das Forças Armadas seguissem a lógica de nossos dirigentes da economia e da Justiça, a esta altura o país estaria nadando em sangue.

Porque, ao receberem a ordem de desbloquear refinarias e restabelecer o fluxo de combustíveis, lançariam logo tropas e blindados para fazer uma “limpa” nas manifestações nas quais, aliás, não falta gente que peça “intervenção militar” e o uso desmedido da força em nome da “ordem”.

Por sorte, militares são mais políticos do que eles, porque entendem que o fim não é o bastante, mas exige que se o alcance com um mínimo de perdas, sacrifícios e confrontos.

Quando gente como Pedro Parente e Sérgio Moro – apenas para citar dois deles, porque são vários e muitos – traça seus planos e o “alvo” de suas missões, não se importam com os efeitos daquilo que se dispõem a fazer.

Seja destruir setores econômicos que davam emprego e renda a milhões de trabalhadores e a uma imensa teia de fornecedores, seja atirar o país numa convulsão como a que temos hoje no setor de transportes e logística, nada lhes importa. Nenhum cuidado é essencial, nenhuma prudência é indispensável, nenhuma ponderação é aceitável.

Sua lógica de servir ao que foram destinados a fazer funciona como antolhos, que os faz agir como os animais em que se lhes punham, no tempo em que se usava carroças.

A mídia, e já nem tão há pouco tempo, passou a apresentar os “gestores” como as formas ideais da atividade pública, ao mesmo tempo em que demonizava os “políticos”.

Os homens de Estado – donde vem a palavra “estadista”, aliás – passaram a ser todos uns treteiros, populistas, quando não corruptos e xavequeiros.  E os “executivos” o símbolo de eficiência e bem fazer, como se não fosse a sua natureza ganhar dinheiro, elevar lucros e executar planos previamente traçados.

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A sua complexidade é a lei a serviço do que querem e os preços ao nível dos melhores ganhos. “Coronéis” da roça e donos de biroscas alcançam a mesma lógica, claro que com menos sofisticação e sem palavras empoladas do juridiquês ou do economês.

Seus atos são igualmente impiedosos e irrefletidos.

Prendam-se todos, como no Alienista de Machado de Assis ou sobreviva quem puder pagar o preço, o de hoje e o de amanhã.

Na Justiça e na vida empresarial, substituíram os juízes austeros e os capitães de indústria por gente que exibe-se na dança que a orquestra da mídia e do dinheiro sugere aos salões e às objeções, chama-se a polícia: a de choque, a Federal ou o Exército, a quem consideram apenas a sua milícia.

Pouco se lhes dá que o país arda em chamas, que perca suas esperanças e sua força vital.

Eles foram soltos, já não têm freios nem rédeas, mas a patejar e escoicear.

E com o olhar fixo, dogmático, quase maníaco com que os antolhos os acostumaram a ver e a não enxergar.

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