Não autorizo que me façam de trouxa. Copie e cole isto no seu mural

Não autorizo qualquer órgão público ou privado, expedidor ou emissor, musical, sexual, incluindo outros gêneros, a propagar a minha intimidade entre quatro paredes pelos quatro ventos. Não autorizo alguma instituição, agência, estabelecimento, aplicativo, rede social, hacker, ex-namorado, colega de infância, primo de terceiro grau, porteiro, cachorro, gato, papagaio ou qualquer outro ser vivo na face da Terra, a dizer o que eu devo fazer com a minha vida. Não autorizo nenhum tipo de repreensão política, partidária, militarista, socialista, feminista, vigarista, tampouco a calça jeans dois números menor, o salto agulha 18 cm, o sutiã com bojo, o absorvente íntimo, o tecido sintético e todo e qualquer agente punitivo, a conter as minhas modestas alegrias. Não autorizo a intervenção de igrejas, religiões, seitas, padre, pastor, pai de santo, budista, vidente, astrólogo, esotérico ou exorcista, intencionados a me vender um pedacinho do céu em suaves prestações. Não autorizo a invasão de propriedade, de intimidade, da Polônia, das Ilhas Maldivas, dos extraterrestres de Varginha e Passo Fundo, do MIB e de todas as galáxias, que tenham por finalidade desvendar e expor as minhas mensagens privadas nas plataformas digitais. Não autorizo o altíssimo índice de desemprego, a nova reforma da Previdência, a inflação contínua e ascendente, as taxas de juros dos bancos, o racismo, o machismo e o achismo. Não autorizo o jeitinho brasileiro, o débito automático, a propaganda enganosa, o horário político obrigatório, as cobranças indevidas da operadora de telefonia, as amostras grátis se eu comprar mais de cem reais. Não autorizo que os carboidratos ingeridos se transformem em gordura, assim como não aprovo o colesterol alto, a pressão alta, o triglicerídeo alto, a hiperglicemia, os anabolizantes, os pseudomédicos e os blogueiros fitness que posam de educadores físicos. Na verdade, do porteiro ao E.T. de Varginha, todos fazem parte de um plano mirabolante para nos fazer de trouxas. Este esquema eu também não autorizo.

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Autorizo, sim, depósitos não identificados na minha conta, cartão de crédito sem limite, a arte colorida nos muros das avenidas, o encontro com os amigos, o chope gelado, a batata frita com cheddar e bacon, os profiteroles de chocolate. Autorizo o fim dos pedágios, a gasolina com preço de banana, a poesia ensinada em sala de aula, mais feriados prolongados. Autorizo o banho quente e demorado sem medo de acabar a água, a diminuição da conta de luz, o lixo reciclado em toda parte. Autorizo convites para cafés, cinema com pipoca, caixas de bombom e livros de presente. Autorizo o wi-fi liberado e o bate-papo também.

Pronto, agora que está tudo esclarecido, compartilhe este texto no seu mural. Caso contrário, a sua galeria de fotos será publicada automaticamente no seu perfil, músicas sertanejas serão tocadas incessantemente no último volume em todos os ambientes, o Trump e as baratas vão dominar o mundo e você continuará vivo.

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