Mídia celebra paz dos cemitérios na economia

por Wadih Damous, DCM –

O alarido da mídia monopolista diante da aparente melhoria de qualquer fundamento econômico não resiste a um sopro de realidade. Depois de trombetear o patético crescimento de 0,1% do PIB do penúltimo trimestre de 2017 como se fora a saída da recessão, e não a cristalização da estagnação, agora o motivo da festa midiática é a inflação abaixo do piso da meta no ano que passou.

Entre a divulgação dos índices relativos ao PIB parcial e da inflação, também mereceu espaço generoso do cartel da mídia, com direito a comentários e colunas ufanistas dos sabujos dos donos dos veículos de comunicação, o ínfimo alento nos números da indústria em novembro, se comparados com o mês anterior. O mesmo se observou após a divulgação de um residual e insignificante alívio no desemprego.

Primeiro vale lembrar que nos governos de Lula e Dilma avanços no Produto Interno Bruto na casa de 2%, 3% ou até 4% eram invariavelmente tachados de “pibinho”. E mesmo quando a economia do país cresceu em ritmo chinês, como em 2010, ano em que o PIB registrou aumento de 7,5%, articulistas globais num exercício de suprema cara de pau chegaram a manifestar a preocupação de que o “país não estava preparado para crescer em nível tão elevado.”

Voltando aos números alardeados pelo governo golpista, nem é preciso ser economista para saber que depois de a atividade econômica ter sido derrubada pelo corte brutal do investimento público, pela insegurança natural dos investidores privados diante de um governo ilegítimo que esteve para desabar em diversas ocasiões, pela entrega das riquezas estratégias do país ao capital estrangeiro e pela destruição do setor de engenharia, óleo e gás pela Lava Jato, é absolutamente previsível que a economia volte a se mexer vagarosamente, apesar do governo.

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É como diz o presidente Lula: “Depois que o poço seca, passado um tempo o movimento do lençol freático acaba trazendo um pouco de água para o poço.” Isso é próprio do sistema capitalista, mesmo numa quadra em que ele é hegemonizado por sua fração financeira e rentista.

Quem se deu ao trabalho de ler com alguma atenção a última pesquisa do IBGE sobre as taxas de desemprego, publicadas ao apagar das luzes de 2017, e referentes ao trimestre encerrado em novembro, percebeu que o leve recuo de 12,6% para 12% no contingente de desempregados se deu em razão da criação de vagas de péssima qualidade, sem direitos trabalhistas nem garantias e com baixa remuneração. Esses empregos informais respondem pela maioria esmagadora dos postos de trabalho criados. E a nova lei trabalhista ainda vai agravar sobremaneira este quadro.

Tanto que em relação aos empregos formais, com carteira assinada, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, de novembro de 2017, mês que entrou em vigor a Lei 13.647, a contrarreforma trabalhista, registrou que o país fechou 12. 292 vagas com carteira assinada. Fica claro, portanto, o tipo de emprego precarizado que está sendo criado, em detrimento das vagas formais e plenas de direito.

Já a inflação abaixo da meta é consequência direta da redução do consumo por parte das famílias, fruto da queda generalizada dos salários (nenhuma categoria teve aumento real, muitas tiveram inclusive seus vencimentos reajustados abaixo da inflação do período, e os golpistas acabaram com a política de valorização do salário mínimo, cujo reajuste foi o mais baixo dos últimos 24 anos). Sem emprego, sem salário e com a economia estagnada, não há inflação que resista. As pessoas têm queda na qualidade vida e deixam de comprar.

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É a paz dos cemitérios. E, por mais que a mídia se esforce para fazer crer que o pior passou e que um mundo cor de rosa se descortina para os brasileiros e brasileiras, a manipulação econômica é mais difícil de emplacar do que a distorção e a mentira do noticiário político. É que as pessoas sentem o agruras da vida na própria pele. Simples assim.

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