Me dá um dinheiro aí. Mas não de caixa 2

por Alex Solnik, Brasil 247

Temer e Aécio devem se achar os sujeitos mais espertos do mundo.

No mundo real, alguém acredita que quem pede dinheiro pode fazer exigências?

Ou seja, você pede um dinheiro a alguém porque está duro e avisa: olha, quero tudo em notas de 10.

Ou então: só aceito o dinheiro se você provar que vem de fonte limpa.

A diferença entre o modus operandi deles e o de Dilma e Lula já está clara.

Dilma e Lula jamais pediram dinheiro a empreiteiros.

Temer e Aécio sempre pediram dinheiro a empreiteiros.

Pedir dinheiro é uma atitude decisiva e que ajuda a entender um enredo.

No DOI-Codi, a primeira pergunta que o interrogador fazia a um preso recém-chegado era “você conhece Fulano”?

Se o preso respondesse que sim já estava enrolado: conhecer, no DOI-Codi, queria dizer “conhecer politicamente”. Ou seja, fazer parte do seu grupo político. Era a confissão de participação em grupo subversivo.

No interrogatório de Lula no aeroporto de Congonhas seus interrogadores perguntaram várias vezes se ele “pedia” dinheiro para o Instituto Lula. Lula sempre respondeu que não. Ele sabia que se admitisse ter pedido já estaria incorrendo em ilícito.

Temer e Aécio, ao contrário, se orgulham em confessar que pediram pessoalmente milhões à Odebrecht (só à Odebrecht?) e querem nos convencer que exigiram de que forma queriam receber a bufunfa: “olha, quero dinheiro limpo, viu, nada de caixa 2”. E foram atendidos imediatamente, sabe-se lá porque.

E ficam indignados se alguém perguntar: mas, vem cá, a pessoa oficialmente encarregada de pedir contribuições oficiais de campanha não é o tesoureiro do partido? Ou o tesoureiro da campanha?

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