Lula para Nobel da Paz já tem mais de 100 mil apoios

A campanha para indicação do ex-presidente Lula para o prêmio Nobel da Paz, lançada pelo argentino Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do prêmio em 1980, alcançou nesta tarde o apoio de mais de 100 mil pessoas; o abaixo-assinado na plataforma online Change.org tem a meta de alcançar 150 mil assinaturas; vítima de uma condenação sem provas, que o torna o primeiro preso político do Brasil desde a redemocratização, Lula entregou-se à Polícia Federal no sábado, 7; imprensa global e líderes políticos de vários países veem na prisão de Lula mais um golpe conta a democracia brasileira

Do Brasil 247

A campanha do arquiteto, escultor e ativista dos direitos humanos argentino Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do prêmio Nobel da Paz em 1980, para a indicação do ex-presidente Lula para o Prêmio Nobel da Paz alcançou na tarde desta segunda-feira, 9, o apoio de mais de 100 mil pessoas.

O abaixo-assinado lançado por Perez Esquivel na plataforma online Change.org tem a meta de alcançar 150 mil assinaturas. “Convido vocês a participar da campanha para que Lula receba o Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra a pobreza e a desigualdade. Compartilho a carta de indicação que apresentarei ao Comitê Nobel Norueguês”, publicou Esquivel pelo Twitter.

Por volta das 16 horas, a campanha acumulava 100.423 assinaturas. Clique aqui para assinar a petição.

Vítima de perseguição política e judicial, e de um mandado de prisão ilegal, expedido por Sérgio Moro, que atropelou o direito de Lula apresentar recursos contra sua condenação no TRF-4, o ex-presidente entregou-se à Polícia Federal no sábado, 7, e encontra-se na Superintendência da PF em Curitiba.

Leia, abaixo, a carta que será enviada por Perez Esquivel ao comitê do prêmio Nobel: 

Para o comitê norueguês do Nobel

Presidente Berit Reiss-Andersen

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Vice-Presidente Henrik Syse

Membros: Thorbjørn Jagland, Anne Enger e Asle Toje.

S / D

Receba as saudações fraternas da paz e do bem.

Por meio desta carta, gostaria de apresentar a esta Comissão a candidatura ao Prêmio Nobel da Paz de Luiz Inácio “Lula” da Silva, ex-Presidente da República Federativa do Brasil entre 2003 e 2010, que através de seu compromisso social, sindicato e político, desenvolveu políticas públicas para superar a fome e a pobreza em seu país, uma das desigualdades mais estruturais do mundo.

Como você bem sabe, a paz não é apenas a ausência de guerra, ou a morte de uma ou muitas pessoas, a paz é também dar esperança ao futuro do povo, especialmente dos setores mais vulneráveis ​​vítimas do ” cultura de descarte “da qual fala o Papa Francisco. La Paz é incluir e proteger aqueles que este sistema econômico condena à morte e à violência múltipla. Segundo o último relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) de 2017, a fome afeta mais de 815 milhões de pessoas no mundo. É um flagelo e um crime sofrido por povos submetidos à pobreza e marginalidade, que são roubados da vida e esperam por gerações. Por esta razão, se um governo nacional torna-se um exemplo mundial de combate à pobreza e à desigualdade, contra a violência estrutural que nos aflige a humanidade, ele merece o reconhecimento por sua contribuição para a paz na humanidade.

“Lula” Da Silva teve como um de seus eixos fundamentais de compromisso do governo com os pobres a implementação de políticas públicas para superar a fome e a pobreza. Em janeiro de 2003, em seu discurso de posse do Presidente da República, ela disse: “Vamos criar as condições que todas as pessoas em nosso país pode comer decentemente três vezes por dia, todos os dias, sem doações de ninguém. O Brasil não pode mais coexistir com tanta desigualdade. Precisamos superar a fome, a pobreza e a exclusão social. Nossa guerra não é matar ninguém: é salvar vidas ”. E, de fato, o programa “Fome Zero” e “Bolsa Família” trouxe pobreza extrema para mais de 30 milhões de pessoas, tornando o Brasil um reconhecido mundialmente por organizações internacionais, como a FAO, o modelo de sucesso do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD) e do Banco Mundial.

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– A percentagem de pessoas que vivem com menos de US $ 3,10 por dia caiu de 11% em 2003 para cerca de 4% em 2012, segundo dados do Banco Mundial.

– Houve uma redução na taxa de desemprego próximo a 50%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. E uma criação de 15 milhões de novos empregos segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

– De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o coeficiente de Gini brasileiro foi 0,583 em 2003, e em 2014 foi 0,518, indicando que as políticas sociais que levaram o Partido dos Trabalhadores (PT) deixou um Brasil menos desigualdade social, a desigualdade média caiu 0,9% ao ano no período 2003-2016.

– A implementação de programas de educação e saúde pública elevou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil desenvolvido pelo PNUD em 2010 chegou a US $ 10,607 dólares renda média anual, a expectativa de vida de 72,9 anos a uma escolaridade de 7,2 anos de estudo e uma expectativa de vida escolar de 13,8 anos.

O governo Lula foi uma construção democrática e participativa, com meios não violentos que elevaram o padrão de vida da população e deram esperança aos setores mais necessitados. O mundo reconhece que houve um antes e um depois na história do Brasil desigual após as duas presidências de Luiz Inácio da Silva. A contribuição de “Lula” para a Paz está nos fatos concretos da vida do povo brasileiro e reforçada pelos estudos de várias organizações internacionais.

Esses resultados dos programas do governo do PT no Brasil para superar a pobreza e a fome não foram uma política de Estado mantida por outros partidos do governo, mas uma política governamental específica que o Brasil está gradualmente abandonando. Como evidenciado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que anunciou que em 2017 o Brasil tinha mais de 3 milhões de novas políticas pobres do atual governo.

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Por estas razões, com o mesmo sentimento de esperança que foi ao ar Martin Luther King quando ele disse, “se o mundo em que acabasse amanhã, eu gosto de ir para plantar minha árvore de maçã” Muitos de nós acreditam que o Prêmio Nobel da Paz para “Lula” Da Silva ajudará a fortalecer a esperança de poder continuar construindo um novo amanhecer para dignificar a árvore da vida.

Adolfo Pérez Esquivel

Prêmio Nobel da Paz de 1980

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