Listas de Janot: muito barulho, pouco resultado

O ministro Rodrigo Janot (Foto: Fellipe Sampaio/05.12.2013/STF)

Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

6 de março de 2015: depois de muito suspense, o procurador-geral Rodrigo Janot, divulga a primeira lista com 50 políticos investigados na Operação Lava Jato, deflagrada um ano antes.

Até hoje, nenhum deles foi sequer levado a julgamento no STF.

6 de março de 2017: depois de muito suspense, a PGR anuncia para esta semana a divulgação da assombrosa Lista de Janot-2, que ameaça todo o alto mundo político, com base nas delações premiadas da Odebrecht (ver noticiário aqui no R7).

Entre uma lista e outra, passados exatamente dois anos, o que mudou na prática para os políticos com foro privilegiado investigados pela Força-tarefa da Lava Jato com inquéritos abertos no STF?

Nada. Apenas quatro deles, de pouca expressão, tornaram-se réus, mas não há nenhuma previsão de quando serão julgados.

STF e PGR jogam a bola um para o outro quando se questiona os motivos da demora para instalar e finalizar os processos. Atá agora, tivemos muito barulho para pouco resultado.

Em 2015, a divulgação da lista, que durante meses foi mantida em sigilo por Rodrigo Janot, deu combustível para as manifestações de protesto pelo impeachment.

Dilma caiu, Temer virou presidente e o país virou de ponta cabeça, mas os caciques políticos que mandam no país continuam os mesmos, apesar de todas as delações e denúncias que se multiplicaram neste período.

“Fora, Dilma” era o grito de guerra, dois anos atrás, nos protestos contra a corrupção.

“Fora, Temer” foi o que mais se ouviu no último Carnaval.

Os mesmos blocos de protesto da época do impeachment _ Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre _ anunciam sua volta às ruas no próximo dia 26, em defesa da Lava Jato e contra a corrupção, mas desta vez sem pedir a saída do presidente, segundo garantem os organizadores.

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Grupos de oposição liderados pela CUT, MST e MTST também preparam para este mês manifestações contra o governo e a reforma da Previdência.

Enquanto os togados dos tribunais seguem seus ritos lentos sem hora para acabar, tão longe do barulho das ruas e tão perto das tenebrosas transações dos políticos para melar tudo, o país começa mais uma semana em suspense, à espera da quebra do sigilo que só serve para alimentar vazamentos e versões.

Vida que segue.

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