“Envelopegate”: por que “La La Land” não ganhou o Oscar de Melhor Filme?

O que há por trás do chamado “Envelopegate”, a histórica gafe da troca dos envelopes de premiação do Melhor Filme no Oscar 2017? Certamente, “La La Land” era o favorito da crítica especializada, consciente da lógica da premiação da Academia de Cinema na última década da Era Obama. O seu anúncio foi um “ato falho” cometido por uma empresa (a PricewaterhouseCoopers – PwC) cujo auditor minutos antes postava fotos dos bastidores da cerimônia no Twitter. Ironicamente, uma das empresas responsabilizadas em 2008 pela crise financeira por ter sido “desconcertadamente negligente”. Se Hillary Clinton tivesse ganho as eleições, e junto com ela o “neoliberalismo progressista”, assistiríamos à vitória de “La La Land”. Mas “Moonlight: Sob a Luz do Luar” foi a premiação “the last minute rescue” que serviu de bala para o canhão apontado diretamente na cara de Donald Trump. E o pior é que, ao contrário dos roteiro de filmes hollywoodianos, nessa história não há fronteiras que separem os mocinhos dos bandidos.

por Wilson Roberto Vieira Ferreira, Cinegnose 

O chamado “Envelopegate” dominou a cerimônia do Oscar 2017. Em um primeiro momento os veteranos atores Warren Beaty e Faye Dunaway (astros do clássico Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas, 1967) anunciaram que a estatueta de Melhor Filme iria para La La Land. Um hesitante Beaty mostrou em longos segundos de silêncio conteúdo do envelope para Dunaway, que acabou anunciando o filme. A equipe do filme chegou a subir no palco para fazer os agradecimentos de praxe. Mas logo em seguida foi revelado o engano: na verdade, Moonlight – Sob a Luz do Luar era o grande vencedor da noite.

Mais tarde foi revelado que fora entregue por engano para Warren Beaty o envelope da premiação de Melhor Atriz, no qual figurava “Emma Stone, La La Land”.

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O episódio do “Envelopegate” tornou ainda mais surpreendente a vitória de Moonlight, já que toda a crítica especializada apontava La La Land como o favorito para levar os principais prêmios do Oscar 2017.

O que torna ainda mais emblemático o episódio é que a empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers (PwC) assumiu total responsabilidade pelo incidente. Mais tarde, descobriu-se que um auditor da empresa (responsável pelos envelopes com os nomes dos vencedores), três minutos antes de Beatty e Dunaway entrarem no palco, ocupava seu tempo no twitter postando fotos dos bastidores do Oscar.


As “Big Four”

O sintomático é que essa empresa de auditoria pertence às chamadas “quatro grandes” (as “Big Four”: Deloitte, Ernst & Young, KPMG e PwC) que foram acusadas de serem “desconcertantemente complacentes” com o seu papel de auditor de bancos durante a crise financeira de 2008. As Big Four teriam sido “negligentes no cumprimento do dever”, deixando os bancos livres para assumirem riscos fatais que resultou na crise financeira de 2008 cujos reflexos ainda o mundo se ressente – clique aqui.

A gafe histórica do Oscar 2017 seria uma pequena amostra do modus operandi de uma das responsáveis pelo crash de 2008. Aliás, crise financeira que levou ao derretimento da Zona do Euro, a gigantesca crise imobiliária nos EUA que levou à depressão econômica cujo efeito direto foi a vitória de Donald Trump e a repulsa da chamada “América profunda” pela Globalização.

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