Às Madalenas arrependidas, a nudez do que fizeram

Por Fernando Brito, Tijolaço

Os jornais, agora que Michel Temer foi exposto em toda a sua vileza, lotam-se de Madalenas arrependidas, que promoveram ou silenciaram diante do assassinato institucional praticado com o impeachment.

Arrepender-se, certo, é um direito humano e um passo bem adiante de persistir no erro.

Mas não com a desfaçatez com que abjuram  e maldizem seus deuses de ontem.

Sempre patética, até a Doutora Janaína Paschoal, a Medéia do Golpe, vai aos jornais dizer que fez, ao dez anos, uma promessa a Tancredo Neves, que morria, e agora se condói por ver seu neto vender o nome de “um verdadeiro herói nacional, um mito, por dinheiro”?

Espero que não corte os pulsos.

Não é demais, ao menos, exigir algum grau de reflexão, para deixar, quem sabe, um dia, de ser reincidente no que a história já cansou de nos ensinar?

Uma lição não aprendida, que Juremir Machado  da Silva resume muito bem, hoje, no Correio do Povo gaúcho:

(…) É todo um imaginário que estrebucha, o de Michel Temer e seu grupo, velhos conhecidos do fisiologismo brasileiro, como cavaleiros destemidos em combate contra a corrupção e em defesa das reformas modernizadoras sonhadas pelo mercado e por parte da mídia. Historiadores do futuro se perguntarão: como foi possível que a média brasileira se deixasse sem classe usar pela terceira vez – 1954, 1964 e 2016, sem contar as eleições de Jânio e Collor – no truque da luta contra a corrupção como cruzada nacional. Na primeira vez, levou Getúlio Vargas ao suicídio. Na segunda, derrubou João Goulart e instalou uma ditadura militar. Na terceira, depôs-se Dilma Rousseff para corar seu vice conspirador, o persistente Temer, como salvação. Na primeira, queria entregar o petróleo. Na segunda, levantou-se contra as reformas de base. Na terceira, entregou o pré-sal e opôs-se às políticas sociais.

Agora estão aí, ‘chocadas’ com o que já sabiam, como quem se envergonha da nudez apenas porque ela está exposta.

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Tão rasos e rastaqueras que se preparam, agora, para engambelar a não com um neoCollor, tão limpinho e cheiroso que enriqueceu com a feira de vaidades, cobrando a outros vazios pelos troféus, púlpitos e ribaltas que vendia às inteligências cujo grande brilho vem dos holofotes.

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