Após pesquisas, mídia rosna contra Lula

Por Altamiro Borges, Blog do Miro

Já era mais do que previsível. As recentes pesquisas de opinião, que apontaram o brutal desgaste de Michel Temer e a folgada vantagem de Lula para a disputa presidencial de 2018, deixaram a direita nativa enfurecida, babando de ódio. Afinal, ela bancou o “golpe dos corruptos”, que depôs Dilma Rousseff, e corre o risco de assistir o retorno do chamado “lulopetismo” ao Palácio do Planalto. Ou seja: o trabalho sujo e criminoso ficou incompleto. Diante deste perigo, a mídia golpista – o verdadeiro partido da direita nativa – já voltou a campo. Nesta semana, ela rosnou hidrófoba contra Lula, deixando explícito que a guerra será sangrenta. Não haverá paz e nem civilidade – por mais que alguns ingênuos ainda acreditem no fim da luta de classes.

A revista IstoÉ – conhecida nos meios jornalísticos como “QuantoÉ” devido às práticas mercenárias dos seus donos – partiu direto para a baixaria. Na edição desta semana, ela usou como fonte para atacar Lula um sujeito desqualificado – um maníaco que adora postar fotos na internet com trajes de milico e agente do FBI ou portando armas. Numa capa terrorista, a foto do maluco e a manchete. “Levei mala de dinheiro para Lula”. Não há qualquer prova e o acusador ainda escorrega em várias contradições. Mesmo assim, a “QuantoÉ” deu crédito ao sujeito – o restante da mídia preferiu evitar o vexame – talvez para justificar a grana que tem recebido do usurpador Michel Temer. A assessoria de Lula respondeu à altura a baixaria:

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‘QuantoÉ’ publica mais uma mentira contra Lula

Do site Lula – 17/02/2017

Esta semana, mais uma vez, a revista Isto É, conhecida em círculo jornalísticos como “Quanto É”, publicou na sua capa uma mentira contra o ex-presidente Lula. Desde que aconteceu o golpe, a revista Isto É foi a publicação que teve uma dos maiores aumentos proporcionais de verbas governamentais.

A publicidade do governo federal no semanário subiu 340% desde que Michel Temer, eleito pela revista “O Brasileiro do Ano”, chegou ao poder. Dinheiro dos seus impostos. Ou seja: o novo governo federal corta na saúde, na educação, mas multiplica os recursos para uma revista mentirosa atacar Lula porque ele aparece nas pesquisas vencendo a eleição de 2018, e espalhar propagandas onipresentes defendendo corte de direitos dos trabalhadores e aposentados e mudanças no ensino para os jovens.

A revista já publicou sandices como a de que Lula teria uma mansão no Uruguai (loucura desmentida até pelo global Alexandre Garcia, que odeia Lula) e de que Lula teria recebido dinheiro vivo, todas acusações inventadas e absolutamente sem provas. Desta vez ouve uma pessoa sem equilíbrio ou credibilidade, com uma história maluca, sem checar ou ouvir o outro lado e joga declarações sem base ou prova em sua capa para tentar difamar Lula. Difamação paga com recursos públicos que o governo diz estarem em falta.

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Já neste domingo (19) foi a vez da Folha tucana reafirmar seu histórico e doentio ódio ao líder petista. O veneno está presente em várias matérias. A principal delas, que ganhou chamada de capa, afirma que “Odebrecht bancou treinamento empresarial para filho caçula de Lula”. Segundo a “reporcagem”, “um dos favores feitos pela Odebrecht para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi pagar um orientador de carreira para ajudar seu filho Luís Cláudio a colocar de pé a empresa Touchdown Promoções e Eventos Esportivos, que organizava um campeonato de futebol americano. A informação consta da delação premiada da empresa, que ainda está sob sigilo”. Está sob sigilo, mas já virou destaque no jornalão da famiglia Frias.

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A matéria também lista “outros presentes da Odebrecht para Lula” – com denúncias requentadas que já foram rechaçadas pelos advogados do ex-presidente. Diante de mais este ataque leviano, a assessoria do líder petista respondeu de imediato:

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Como a Folha e vazadores mudam versão de história sem provas em poucas horas para gerar manchetes contra Lula e sua família

Do site Lula – 19/02/2017

O jornal Folha de S. Paulo publica hoje matéria baseada em suposto vazamento de delação premiada contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A matéria vem com grande destaque na edição do primeiro domingo após pesquisa eleitoral indicar que, apesar da perseguição movida contra Lula por setores da imprensa e alguns agentes públicos, ele venceria as eleições para presidente da República tanto no primeiro quanto no segundo turno.

No contato feito com a assessoria de imprensa do ex-presidente [aqui], a Folha de S.Paulo mudou em poucas horas a versão da sua apuração. Primeiro haveria um “interlocutor de Lula” que teria feito o pedido citado na suposta delação a que a Folha teve acesso. A reportagem informou que o nome desse interlocutor não seria revelado. Depois, o tal interlocutor sumiu em uma informação de última hora que teria chegado na noite de sexta-feira (quando os jornais fecham a maior parte da sua edição de domingo).

Fica a impressão de alteração da história, pelo jornal ou por sua fonte, após terem sido questionados sobre a falta de informações básicas. A Folha de S.Paulo também não soube prover nenhum documento ou mesmo informações simples sobre a história que sustenta sua matéria: em que ano ela teria acontecido? Lula deixou a Presidência da República em 31 de dezembro de 2010 e não ocupa nenhum cargo público desde então. Diante de informações genéricas, sem documentos, de origem ilegal, que mudam em poucas horas, não há o que comentar ou dar crédito a suposições.

Por lei, delações não são provas, quanto mais vazamentos de supostas delações, sem documentos, contexto, provas do ocorrido ou sequer o ano em que teria acontecido o fato. Servem apenas para gerar manchetes sensacionalistas contra Lula e sua família. A Folha de S. Paulo costuma publicar esses ataques contra Lula aos domingos, atribuindo como “presentes” ao ex-presidente um estádio que é do Corinthians, ou uma piscina que é do Palácio do Planalto.

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Supostas acusações de delatores divulgadas com estardalhaço na imprensa não têm se confirmado em depoimentos em audiências, onde mais de 11 delatores chamados como testemunhas de acusação pela Lava Jato foram incapazes de apontar qualquer ato ilegal ou vantagem indevida recebida pelo ex-presidente Lula. A imprensa, que faz estardalhaço de versões sem contexto e distorcidas de supostas delações, não dá destaque algum quando delatores como Paulo Roberto da Costa, Nestor Cerveró ou Pedro Barusco dizem, perante o juízo e com compromisso de dizer a verdade, jamais terem ouvido falar do envolvimento de Lula em ilegalidades ou recebimento de qualquer vantagem indevida [veja vídeo aqui].

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Bombardeio vai se intensificar

Os ataques ao ex-presidente Lula tendem a se intensificar nas próximas semanas – mesmo que isto ajude a demonizar a ação política e a alavancar a candidatura do fascista Jair Bolsonaro. Eles partirão da mídia golpista e dos jagunços da seletiva Lava-Jato. A razão é simples. O cerco midiático-judicial contra o líder petista ainda não surtiu resultados desejados. Pelo contrário. A provável candidatura de Lula até parece que cresce como resultado desta brutal perseguição. A pesquisa CNT, divulgada nesta semana, mostra que o usurpador Michel Temer – apesar da blindagem midiática – caminha para o precipício. Seu índice de rejeição subiu para 62% em curto espaço de tempo. No outro extremo, Lula aparece com salvação para o caos implantado pelo covil golpista. Ele vence com folga em todos os cenários, de primeiro e segundo turnos.

Este fenômeno foi reconhecido até pelo jornalista Elio Gaspari, que não morre de amores pelo petista. Em artigo intitulado “A jararaca está viva e engordou”, publicado na Folha, ele concluiu: “O primeiro aviso veio em dezembro, com uma pesquisa do Datafolha. Lula tinha 25% das preferências dos eleitores para o primeiro turno da eleição presidencial de 2018. À época havia um consolo, num segundo turno, ele perdia para Marina Silva. Agora saiu a pesquisa da CNT/MDA. Lula cresceu em todas as simulações e ganha com folga de todos os candidatos, em todos os turnos. Salvo Jair Bolsonaro, todos seus adversários caíram. Com 6,5% na resposta espontânea, Bolsonaro tem mais preferências que Aécio Neves, Marina, Michel Temer, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes somados. E Lula, com 16,6%, janta todos, inclusive o paleozoico Bolsonaro”.

“Não se pode ir longe nas projeções de uma pesquisa realizada a mais de um ano de distância das eleições, mas alguns resultados da CNT/MDA são fotografias do presente. Apesar da exposição que seus cargos lhes dá, Michel Temer, Aécio Neves e Geraldo Alckmin estão derretendo. Derrubaram-se também Ciro Gomes com seu estilo tonitruante e Marina Silva com seu plácido absenteísmo. As artes do Planalto levaram para 62% o índice de desaprovação de um governo que vive num mundo de trapalhadas, fantasias e marquetagens. A jararaca engordou e dificilmente o risco Lula será liquidado pela Lava Jato. Primeiro porque não será fácil torná-lo inelegível, com uma condenação de segunda instância, antes do pleito do ano que vem. Mesmo que isso aconteça, Lula poderá tirar um poste da manga”.

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Ou seja: Lula que prepare o lombo. As baixarias contra ele serão ainda maiores a partir de agora!

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A manipulação das pesquisas

Em tempo: É interessante observar o comportamento da mídia privada na difusão das pesquisas. Caso a sondagem da CNT apontasse o definhamento de Lula, com certeza ela seria manchete em todos os jornais e destaque na TV Globo. Como foi o contrário, os jornalões, revistonas e emissoras de rádio e tevê preferiram esconder os seus resultados. Alguns veículos sequer citaram em nota a pesquisa da CNT. A mídia também preferiu ofuscar o resultado de um pesquisa qualitativa, realizada pelo instituto Ideia Inteligência e divulgada no decadente jornal Valor Econômico, que apontou o componente da “saudade” para a disputa presidencial de 2018. A sondagem ajuda a explicar o excelente desempenho de Lula nas pesquisas quantitativas.

Segundo o jornal Valor, a pesquisa explorou argumentos de eleitores que “andam afastados do PT, mas declaram intenção de votar no petista”, apontando para “reiterados sinais de um sentimento de nostalgia” em relação ao período entre 2003/2010. Estas “lembranças” seriam relacionadas principalmente aos aspectos econômicos – ao aumento do emprego e da renda e à melhora das condições de vida das chamadas camadas C e D da sociedade. O jornal acrescenta: “No grupo em que só um disse não ter apoiado o impeachment de Dilma, a figura política de Lula foi reverenciada. A discussão em torno de seu nome, conforme assinalam os pesquisadores, é embalada por ‘forte apelo emocional’, movida por um sentimento de ‘gratidão extrema, ligada à sensação de boa situação financeira (…) que marcou os governos Lula na memória dos entrevistados’”.

“Um dos aspectos mais destacados pelos participantes foi o do trabalho, realçado várias vezes durante a sessão. ‘Havia um equilíbrio entre as coisas, a taxa de desemprego era muito baixa. No governo dele eu arrumava emprego fácil, mesmo sendo menor de idade’, afirmou um dos participantes. ‘Antes eu escolhia a empresa que eu queria trabalhar’, completou outro. ‘Era um governo que todo mundo gostava, você não via ninguém fazer baderna’, resumiu mais um. ‘Só quem não gostou da administração dele foi o pessoal da classe A. Muita gente começou a ter opção e salário melhor e parou de se sujeitar para os patrões’”. Estas opiniões explicariam a existência “de um componente eleitoral inédito” para as eleições de 2018: “saudade”. Saudade de Lula!

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