Além de expôr Temer e Aécio, Janot desmoralizou a Lava Jato de Moro com sua obsessão por Lula e PT

por Kiko Nogueira, DCM

Rodrigo Janot roubou a cena de Sérgio Moro. Era fatal que uma hora isso acontecesse. Cansou.

A Lava Jato de Brasília vem colocando o governo Temer, e sua quadrilha, de joelhos.

Embora o acordo de delação premiada dos irmãos Esley seja absurdo, Janot reuniu muito mais provas contra Michel, Aécio e outros pústulas em alguns meses do que o pessoal da Curitiba contra Lula em mais de três anos.

O que se apresenta contra a tropa de MT é consistente e abrangente.

O braço curitibano acabou desmoralizado em sua caçada obsessiva contra um homem e um partido só.

Você ouviu falar de algum dos “homens de Janot”? Eles aparecem de óculos escuros escoltando bandidos? Dão entrevistas coletivas? Palestras?

Não. A discrição, uma virtude que os rapazes de Moro não possuem, é que dá o tom aqui.

Quem aparece é Janot.

A primeira vez que ele causou foi com a delação da Odebrecht, em que políticos de outros partidos surgiram.

Ficaram conhecidos os apelidos ridículos dos intocáveis — até então — do PSDB, como Serra e Alckmin.

Com a delação da JBS, Janot saiu da sombra, entrou em guerra aberta com Temer e passou a escrever artigos defendendo seus atos.

No último dia 15, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, da “República de Curitiba”, reclamou das pessoas que apoiavam a força tarefa “por motivos mesquinhos ou ingênuos”.

Não era verdade que “todo mal estava no governo do PT”, escreveu.

Ora, essa impressão, transformada em certeza por analfabetos funcionais, não foi formada do nada. É fruto do trabalho equivocado do pessoal de Lima.

Visto em retrospectiva, depois do que contou Joesley, o que é aquele powerpoint de Dallagnol? O que são as palestras de Deltan em que Lula é vendido como um número do repertório?

O mandato de Janot termina em setembro. Moro, Lima e equipe estão contando os dias até lá.

Seja lá quem for seu substituto, o PGR expôs, além da corja de Temer e Aécio, uma operação que desde 2014 faz carnaval na mídia em torno de um sítio, dois pedalinhos, um triplex, muita convicção, nenhuma evidência e holofotes a granel.

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