A “retomada” que é um nada

por Fernando Brito, Tijolaço

Alexa Salomão, no Estadão de hoje, publica reportagem e números que mostram que as “previsões de recuperação da economia estão no mundo do wishful thinking e dificilmente de lá sairão.

Com a ressalva ao agronegócio – que depende exclusivamente de fatores externos, os preços das commodities –  “não haveria muito o que comemorar na economia neste início de ano, segundo os economistas”.

O setor de serviços segue caindo, o varejo não reage e a indústria esboça recuperação abaixo do esperado. As últimas semanas ainda foram marcadas pelo governo revisando, para pior, as contas públicas. Anunciou um contingenciamento de R$ 42 bilhões para manter o rombo de R$ 139 bilhões neste ano. Também elevou a previsão de déficit em 2018, de R$ 79 bilhões para R$ 129 bilhões. 

O economista Nelson Marconi reuniu dados de indústria, varejo e serviços, retirou as oscilações ao longo do tempo (os chamados efeitos sazonais) e concluiu: “Não dá nem para dizer que há recuperação, mas uma estabilização num patamar baixo: estamos andando de lado no fundo do poço e, olhando para a frente, não há nada no cenário que mude isso”, diz ele.

A reportagem ouve outros economistas “do mercado” e eles repetem a mesma cantilena de que “a “recuperação será lenta”, só no final do ano, etc… Você vem ouvindo isso desde maio do ano passado, não é?

O único dado real de melhoria na economia, paradoxalmente, se alcançou pela regra clássica do controle inflacionário, garrotear a demanda, o consumo.

O outro é irreal: uma subvalorização do dólar que, como sempre na História, alguma hora se corrige, não raro com efeitos catastróficos.

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