A destruição não-revolucionária deixa ruínas e só faz brotar bestas

Por Fernando Brito, Tijolaço

A partir deste final de semana, quando as revistas promocionais do Ministério Público forem às bancas, as chamas que crepitam em Brasília vão começar a tomar as dimensões de um incêndio de Roma.

A tochas dos nossos black blocs bem trajados do Ministério Público vão encontrar farto material inflamável na decisão do Supremo de que são criminalizáveis as doações registradas dos partidos, o que financiou – primeiro, informalmente e, depois, legalmente –  todo o sistema político eleitoral do brasil nos últimos 30 anos.

Como registra a insuspeita Eliane Cantanhêde, no Estadão, “as investigações podem começar pelas declarações oficiais de campanha, percorrer o caminho inverso e desembocar num esquema em que o dinheiro saía de propinas e de contratos fraudados de órgãos públicos e empresas estatais”.

Faltou à colunista da massa cheirosa dizer de quem se irá sentir o cheiro de enxofre e fuçar as contas. Porque, ela própria reconhece, “não há santos nessa história e é preciso investigar, punir e mudar os métodos (e a cultura), mas os diabos não são iguais”.

Ainda assim, isso vai significar uma legião aterradora e passos adiante na destruição deste país onde, para combater a corrupção de centenas de milhões de reais e algumas dezenas de indivíduos não se hesita em provocar a queima de trilhões de reais e milhões de seres humanos.

Não importa que nossos Neros, em algum momento, se assustem e parem de tanger suas harpas.

O fogo toma o freio nos dentes, não há poder capaz de debelá-lo, e a bestas emergem das chamas.

A quebra da institucionalidade feita por um impeachment de razões flagrantemente arranjadas em situações de natureza puramente contábil tanto quanto com evidente motivação golpista foi a quebra do lacre que libertou este processo, volto à Cantanhêde, demoníaco.

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Não estamos diante de qualquer revolução, com seu potencial renovador, com a enxurrada que, ainda que violenta,  fertiliza a civilização e a faz brotar humanidade e justiça.

Estamos diante de um pogrom, desta vez não contra judeus, eslavos, protestantes, mas contra a raça de políticos e, com ela, de toda a organização da sociedade, que se torna pasto franqueado ao dinheiro, à dominação, ao saque ainda pior.

E, pior do que tudo, estufa da  tirania, que perde a vergonha que a mantinha nas sombras e surge, horrenda mas aplaudida, para reinar sobre a ruína.

Os que viram 1964 sabem do que falo.

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