A ameaça da besta não é mais um delírio

por Fernando Brito, Tijolaço

Um exagero aqui, uma redução lá, fato é que a pesquisa divulgada hoje pelo Poder360 mostrando que Jair Bolsonaro circula em torno dos 20% de intenções de voto, em tendência de alta, mostra que a ameaça da besta assumir a liderança da direita brasileira não é um delírio.

Os mais velhos se recordam quando o grotesco Jean-Marie, pai da mais burilada Marine Le Pen era apenas um sujeito “folclórico” que dizia sandices como chamar as câmaras de gás de  “um detalhe da Segunda Guerra Mundial”.

O domingo passado mostrou que, embora perdendo, arrastou um terço da sociedade francesa.

Não é impossível que surja aqui um equivalente, do tipo “a ditadura deveria ter matado mais”, na esteira do ódio político que se instalou no país.

Mesmo suas versões mais (e não tanto) amenizadas, como o bufão paulistano, que se habilita ao posto de Bolsonaro chique – não, chique não é cult – não parecem ter fõlego diante da brutalidade em estado puro.

Não parece plausível que ambos possam ser substituído por uma “aventura Moro”: o seu desempenho pessoal é muito fraco, o olhar vazio, inconvincente e os métodos, primários.

Lula – que a pesquisa registra seguir na frente e sem quedas por conta da ofensiva acusatória dos últimos dias- é maduro o suficiente de não “embarcar” numa polarização com Dória, Bolsonaro (que o desejam ardentemente) e sequer com os tucanos.

Só os ingênuos e os temerários podem querer adotar uma estratégia de enfrentar 2018 com uma esquerda “pura” e, com isso, abrir mão da repulsa ao horror que a direita real – agora, a mais feroz – vai despertando, à medida em que se consolida.

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Ao mesmo tempo, é preciso “fechar a porteira” do campo popular que o sustenta e que mostrou, depois de dois anos de massacre midiático, a força da memória popular.

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